In Bilhetes de Colares, A.B.Kotter (A.K.A José Cutileiro).
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sexta-feira, 16 de abril de 2010
Os filhos dos feitores.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Père Lachaise.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Efeitos da democracia.
"O efeito da democracia nos seus amigos portugueses exibe, segundo Lowater, aspectos curiosos. (…) Afirma o sábio de Kew que a experiência destes vinte anos marcou de maneira diferente, praticamente oposta, por um lado, as visitas lusitanas cá de casa que eram “da situação” antes do Levantamento de Rancho – e, por outro, as que eram “da oposição” antes da Revolução dos Cravos. Nos primeiros tempos, as primeiras assarapantaram-se, algumas fugiram para outros países e o desgosto que lhes causava o que viam à sua volta lia-se-lhes nos semblantes, em jantares macambúzios á roda da minha mesa. As segundas engalanaram em arco, algumas voltaram e vez de outros países e a alegria que lhes causava o que viam à sua volta explodia em gestos, risos, palavras que tornavam difícil qualquer conversa seguida, também à roda da mesa da minha casa de jantar.
A pouco e pouco, porem, este maravilhoso país que tão generosamente me acolhe no seu seio foi assentando. A crista murcha dos “da situação” começou a arrebitar outra vez. A euforia dos “da oposição” tornou-se menos expansiva e, com o andar dos anos, quase deu sumiço.(…)
Afirma Lowater que os antigos situacionistas descobriram que o país que eles tão bem conheciam e cujo desgoverno tanto receavam se adaptou ao novo regime sem estrago de maior e que eles aí vigoram tão à-vontade quanto dantes. A democracia, afinal, não é pior do que a ditadura, tem até a vantagem de já não ser preciso andar sempre com o credo na boca, não fosse alguma conspiração a soldo do estrangeiro deitar tido a perder.
Os antigos oposicionistas, por sua vez, descobriram que o país que eles tão bem julgavam conhecer e cuja libertação tanto apeteciam empochou a democracia como tinha antes empochado outros regimes, sem trazer decência à maneira de as pessoas se tratarem umas às outras, e que eles aí vigoram com sobressaltos, diferentes dos que sentiam dantes, mas sobressaltos ainda. A democracia, afinal, não é muito melhor do que a ditadura, com a desvantagem de já não se poder esperar uma conspiração que derrubasse o regime e destapasse a bondade do povo. A tampa saltou e dentro do tacho havia mais lacraus do que cidadãos impolutos.”
In Bilhetes de Colares, A.B. Kotter a.k.a José Cutileiro.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Um paradoxo.
"Sozinho na biblioteca, confrontei mais uma vez este curioso paradoxo lusitano: os descobridores do mundo não parecem sentir curiosidade por nada que se passe fora deles. Um amigo do pai do Carlinhos dizia que os portugueses de hoje não eram descendentes dos que tinham ido à Índia; eram descendentes dos que cá tinham ficado. Talves seja essa a solução do paradoxo."
In Bilhetes de Colares, A.B.Kotter (A.K.A José Cutileiro).
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