Mostrar mensagens com a etiqueta Indústrias Criativas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Indústrias Criativas. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Promover Portugal.



"Without promotion something terrible happens: nothing."
P.T.Barnum.


O Rip Curl Pro Portugal é um bom exemplo daquilo que uma marca/evento pode fazer por uma determinada região. É que sai mesmo toda a gente a ganhar. Ler aqui o artigo do Público.

A ideia de Indústrias Criativas em Portugal não consegue passar do jargão político-institucional. Os suspeitos do costume apoderaram-se do termo, explorando-o em conferências, cursos e afins, mas, de facto, não conseguem chegar a quem FAZ. É importante termos presente o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido noutros países e cidades do mundo, mas não podemos querer aplicá-lo directamente à nossa aburguesada realidade. Exemplos como o da Rip Curl são uma pedrada no charco em que vivemos, mas há de haver por aí quem pergunte: "E o que é que isto tem a ver com Indústrias Criativas?".

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Soluções de Contrapeso.



Foto: Fundação Calouste Gulbenkian/Manuel Silveira Ramos.

A recente descativação excepcional de 7,5 por cento das verbas do PIDDAC para a cultura é uma boa notícia.
De facto, temos assistido a um grande debate sobre a importância do sector e o modo como este, nas suas mais variadas vertentes e agora com o tema das “Indústrias Criativas” à cabeça, pode contribuir para o desenvolvimento das cidades e do país. Projectam-se clusters, promovem-se conferências, exploram-se patrocínios, subsídios e incentivos como o QREN sublinhando-se a ideia de competitividade que lhe está subjacente, mas, pelo que tenho visto, lido e ouvido, há uma enorme incerteza, e uma não menor desconfiança, em relação aos reflexos que, a médio prazo, tudo isto pode ter na forma como olhamos para nós próprios e nos relacionamos com o mundo.
O desconforto com que se fala de investimento em cultura em tempo de crise não é legítimo. A nossa identidade e capacidade de afirmação num mercado global, que é cada vez mais competitivo, estão eminentemente dependentes da cultura e da criatividade, sendo também certo que estas são absolutamente indissociáveis da procura de soluções. Mais do que nunca, precisamos de ser capazes de interpretar a nossa realidade com lucidez para que, de moto próprio, possamos ter ideias que nos ajudem a resolver os problemas que se nos colocam, sejam eles de ordem económica, política, social, ou outras.
Para que a discussão seja pertinente, é também muito importante que sejamos capazes de fazer uma distinção clara entre cultura popular, ou de massas, e alta cultura, ou cultura de elite (que, como escreveu num artigo recente Peter Aspden, colunista do Financial Times, se encontra “magoada, ensimesmada, voltada essencialmente para os nichos académicos e para o público especializado”), sabendo à partida que estas não têm porque se anular ou substituir entre si, e que, tendo princípios e características diferentes, se cruzam por vezes nas suas finalidades, sejam elas lúdicas ou de formação. Por outro lado, e como muitos pretendem, não podemos medir o interesse e a utilidade pública da cultura pelas receitas que esta gera em função do investimento, seja ele público ou privado, que lhe é anualmente destinado. Parte do problema reside no facto de as pessoas confundirem frequentemente entretenimento com cultura. Os principais agentes e gestores culturais deste país podem e devem ter um papel activo na tentativa de se encontrar uma relação de equilíbrio entre estes dois pontos, não só através da programação, mas também ao criarem condições para que as infra-estruturas e os recursos humanos existentes sejam devidamente rentabilizados para projectos que possam contribuir para a mudança de mentalidades e servir de estímulo às economias locais.
O desenvolvimento de novas tecnologias associadas à internet deu origem a uma série de fenómenos que estão directamente relacionados com o evoluir das redes sociais e que abriram caminho à proliferação de reality shows, concursos e afins, que promovem a obsessão pela fama e o endeusamento de uma série de “personalidades” sem talento. Criou-se uma subcultura que anda de mãos dadas com os interesses financeiros e as lutas de audiências que todos conhecemos, e que não só nos nivela por baixo como nos retira espírito crítico e o critério de avaliação em relação àquilo que é bom ou mau. E a maior parte das vezes é mesmo mau.
Sir Ken Robinson, autor do best-seller The Element, considera que “um dos inimigos da criatividade e da inovação, especialmente em relação ao nosso próprio desenvolvimento é o senso comum”, e em Portugal o senso comum, que é onde estão as audiências e/ou o capital, tem duas subcategorias muito fortes: a primeira onde o “entretenimento” prevalece sobre o “saber”; e a segunda em que está absolutamente politizado, institucionalizado e atado a chavões como “criatividade”, “inovação”, “sustentabilidade”, entre outros, que não se sabe muito bem como utilizar. Resta-nos depois uma categoria à parte, onde se encontram os poucos que possuem os meios e os recursos humanos para, de uma forma sóbria e competente, nos irem mostrando que é possível fazer mais, melhor e diferente, e dentro desses poucos identifico uma ou duas instituições privadas de craveira mundial, mas que, de tal maneira fogem à norma, que são mais movimentos de contracultura, enquanto contrapeso ao establishment, do que outra coisa.

JMA.

sábado, 29 de maio de 2010

Sobre o Folclore.



É ler aqui na edição online do Público de hoje o Comentário de Manuel Carvalho sobre os "espartilhos" da abordagem à criatividade na cidade do Porto. Um must.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Carta Branca.


Ainda a propósito do post anterior, em 2008 escrevi assim no Semanário Económico/Casual:

O conceito das Indústrias Criativas aplicado ao desenvolvimento das cidades teve origem no livro que o economista americano Richard Florida lançou em 2002 com o título “The Rise Of The Creative Class”.
A primeira vez que ouvi falar no tema em relação à cidade do Porto foi em 2004, quando um amigo meu, Miguel Magalhães, me pediu para rever um documento intitulado “Methodological Issue: A Contribution for Porto’s Creative Industries”, a sua tese final para o Mestrado que estava a fazer na City University, em Londres.
Foi o mesmo Miguel Magalhães que, cerca de um ano mais tarde, desenvolveu por encomenda da Comissão de Coordenação de Região Norte, um paper intitulado “Quadro de Referência das Indústrias Criativas no Norte de Portugal”, que serviu de base para o movimento agora iniciado pela CCRN/Serralves, e para o qual desejo, desde já, o maior sucesso. É, sem dúvida, uma óptima iniciativa.
Um pouco por todo o mundo, há já exemplos práticos da aplicação deste conceito. Em Inglaterra, por exemplo, foi criado o cargo de Minister for the Creative Industries and Tourism, numa medida que reflecte, claramente, a preocupação pela gestão das expectativas lançadas pela discussão do tema.
Este tema interessa-me particularmente pelo que, no ano passado, fiz parte de um grupo de trabalho (no qual estava, mais uma vez, Miguel Magalhães), que apresentou à Universidade Fernando Pessoa, no Porto, um projecto a para a criação daquilo que poderia vir a ser o “Porto Criativo - Centro para a Promoção e Investigação das Indústrias Criativas”, ou “Creative Porto - Creative Industries Promotion and Research Center”, na sua versão em inglês.
Este seria um projecto eminentemente académico, cujo objectivo seria o de dinamizar o intercâmbio entre universidades, criadores e players internacionais reconhecidos no sector, com a posterior criação de uma base de dados que permitisse potenciar e promover a região em termos criativos. Tratava-se portanto de um desafio paralelo e, quando muito, complementar àquele que é agora proposto pela CCRN/Serralves.
Após a apresentação de um estudo prévio, em Abril, foi-nos dada, e aqui passo a citar os responsáveis que então nos receberam, “carta branca”, para avançar com o desenvolvimento de um projecto mais concreto, que foi entregue na sua versão final para aprovação em Setembro. Passadas várias semanas, sem que nada nos dissessem, achamos conveniente contactar, por e-mail, as pessoas que receberam o documento, na tentativa de obter algum feedback em relação à viabilidade, ou não, do trabalho proposto. Resposta por e-mail não existiu, os telefones deixaram de funcionar, enfim, um mistério que está ainda hoje por resolver...Resta-nos agora cruzar os dedos e rezar para que, um dia destes, não apareça por aí nenhum “Porto Criativo - Centro para a Promoção (...)”, “Creative Porto - Creative Industries Promotion (...)”, ou coisa que o valha...É que, “Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay”.

JMA
Publicado no Semanário Económico/Casual, 2008.

E, já agora, e dentro do mesmo tema, é ler também a notícia do JN de hoje: Norte está a fomentar as Indústrias Criativas.


O Livro Verde.



A Comissão Europeia criou um Livro Verde com directrizes para o desenvolvimento das Indústrias Criativas. Ler aqui o artigo do Vítor Belanciano/Público.