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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

domingo, 6 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Promover Portugal.



"Without promotion something terrible happens: nothing."
P.T.Barnum.


O Rip Curl Pro Portugal é um bom exemplo daquilo que uma marca/evento pode fazer por uma determinada região. É que sai mesmo toda a gente a ganhar. Ler aqui o artigo do Público.

A ideia de Indústrias Criativas em Portugal não consegue passar do jargão político-institucional. Os suspeitos do costume apoderaram-se do termo, explorando-o em conferências, cursos e afins, mas, de facto, não conseguem chegar a quem FAZ. É importante termos presente o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido noutros países e cidades do mundo, mas não podemos querer aplicá-lo directamente à nossa aburguesada realidade. Exemplos como o da Rip Curl são uma pedrada no charco em que vivemos, mas há de haver por aí quem pergunte: "E o que é que isto tem a ver com Indústrias Criativas?".

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Soluções de Contrapeso.



Foto: Fundação Calouste Gulbenkian/Manuel Silveira Ramos.

A recente descativação excepcional de 7,5 por cento das verbas do PIDDAC para a cultura é uma boa notícia.
De facto, temos assistido a um grande debate sobre a importância do sector e o modo como este, nas suas mais variadas vertentes e agora com o tema das “Indústrias Criativas” à cabeça, pode contribuir para o desenvolvimento das cidades e do país. Projectam-se clusters, promovem-se conferências, exploram-se patrocínios, subsídios e incentivos como o QREN sublinhando-se a ideia de competitividade que lhe está subjacente, mas, pelo que tenho visto, lido e ouvido, há uma enorme incerteza, e uma não menor desconfiança, em relação aos reflexos que, a médio prazo, tudo isto pode ter na forma como olhamos para nós próprios e nos relacionamos com o mundo.
O desconforto com que se fala de investimento em cultura em tempo de crise não é legítimo. A nossa identidade e capacidade de afirmação num mercado global, que é cada vez mais competitivo, estão eminentemente dependentes da cultura e da criatividade, sendo também certo que estas são absolutamente indissociáveis da procura de soluções. Mais do que nunca, precisamos de ser capazes de interpretar a nossa realidade com lucidez para que, de moto próprio, possamos ter ideias que nos ajudem a resolver os problemas que se nos colocam, sejam eles de ordem económica, política, social, ou outras.
Para que a discussão seja pertinente, é também muito importante que sejamos capazes de fazer uma distinção clara entre cultura popular, ou de massas, e alta cultura, ou cultura de elite (que, como escreveu num artigo recente Peter Aspden, colunista do Financial Times, se encontra “magoada, ensimesmada, voltada essencialmente para os nichos académicos e para o público especializado”), sabendo à partida que estas não têm porque se anular ou substituir entre si, e que, tendo princípios e características diferentes, se cruzam por vezes nas suas finalidades, sejam elas lúdicas ou de formação. Por outro lado, e como muitos pretendem, não podemos medir o interesse e a utilidade pública da cultura pelas receitas que esta gera em função do investimento, seja ele público ou privado, que lhe é anualmente destinado. Parte do problema reside no facto de as pessoas confundirem frequentemente entretenimento com cultura. Os principais agentes e gestores culturais deste país podem e devem ter um papel activo na tentativa de se encontrar uma relação de equilíbrio entre estes dois pontos, não só através da programação, mas também ao criarem condições para que as infra-estruturas e os recursos humanos existentes sejam devidamente rentabilizados para projectos que possam contribuir para a mudança de mentalidades e servir de estímulo às economias locais.
O desenvolvimento de novas tecnologias associadas à internet deu origem a uma série de fenómenos que estão directamente relacionados com o evoluir das redes sociais e que abriram caminho à proliferação de reality shows, concursos e afins, que promovem a obsessão pela fama e o endeusamento de uma série de “personalidades” sem talento. Criou-se uma subcultura que anda de mãos dadas com os interesses financeiros e as lutas de audiências que todos conhecemos, e que não só nos nivela por baixo como nos retira espírito crítico e o critério de avaliação em relação àquilo que é bom ou mau. E a maior parte das vezes é mesmo mau.
Sir Ken Robinson, autor do best-seller The Element, considera que “um dos inimigos da criatividade e da inovação, especialmente em relação ao nosso próprio desenvolvimento é o senso comum”, e em Portugal o senso comum, que é onde estão as audiências e/ou o capital, tem duas subcategorias muito fortes: a primeira onde o “entretenimento” prevalece sobre o “saber”; e a segunda em que está absolutamente politizado, institucionalizado e atado a chavões como “criatividade”, “inovação”, “sustentabilidade”, entre outros, que não se sabe muito bem como utilizar. Resta-nos depois uma categoria à parte, onde se encontram os poucos que possuem os meios e os recursos humanos para, de uma forma sóbria e competente, nos irem mostrando que é possível fazer mais, melhor e diferente, e dentro desses poucos identifico uma ou duas instituições privadas de craveira mundial, mas que, de tal maneira fogem à norma, que são mais movimentos de contracultura, enquanto contrapeso ao establishment, do que outra coisa.

JMA.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sobre a(s) Água(s).


Três Águas.

"Anteontem de manhã fui à praia e começou a chover quando eu estava tão perto do mar como do meu carro. Nem sequer pensei em voltar. Fugi da chuva para dentro do mar. O mar estava calmo e aristocrático, tratando as gotas de chuva como queixas do proletariado.
Pensei que tinha sido apanhado. Mas é um defeito do pensamento. Água é água e mergulharmos e nadarmos nela é melhor do que fugir dela ou apanhar com gotas dela. É como o ar e o vento: só conta o oxigénio. E a frescura. O vento é ar novo. O mar é água-sangue. A diferença entre a salgada e a doce é, biológica e gastronomicamente falando, absurda.
Nunca tinha ido ao mar quando estava vento e frio e chuva e nuvens negras como o azedume. Mas era Maio. E Maio é um mês de mar. E eu fui. O mar tapou-me, tão cinzento como o céu. Abraçou-me no frio dele. As gotas de chuva eram quentes; rebuçados. O mar era uma gabardine; a minha protecção. Fartei-me de nadar, com medo que tivesse frio quando saísse. Não tive. Ficou tudo molhado. A minha toalha; as minhas sandálias; a areia.
Cheguei a casa e tomei um duche e, enquanto tomava, comparei as três águas que me lavaram. A água do mar foi a mais doce e deliciosa. A água do céu foi a segunda. E, muito longe das outras duas, a água do banho, quentinha e fumegante, foi a menos boa. Mas boa. Mas mais boa por causa da anteriores e melhores. Mar; chuva e água canalizada. É uma grande sequência. A partir de agora, passo a lavar-me com a chuva do céu."


Miguel Esteves Cardoso, Público 15/05/2010.


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Senhor Guedes.



Vai um forte abraço para o nosso João Guedes que na semana passada se sagrou campeão nacional de surf.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

sexta-feira, 6 de março de 2009

Suzipaula.




Não há como o galão da Suzipaula, ali ao lado do cemitério "Prado do Repouso". Bastam 3 minutos a olhar para aquele Neon num dia de chuva para nos sentirmos em Miami. Sai-se de lá com a alma lavada. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Berlinale Kamera Prize.



"No livro [de Eça de Queiroz], Macário confessa-se a um companheiro. [No filme, confessa-se a uma senhora sentada ao seu lado no comboio, interpretada por Leonor Silveira.] Achei mais viável o desabafo a uma senhora do que a outro homem, achei mais bonito, mais sedutor. De resto, as mulheres têm esse pendor, elas percebem os homens, já que eles não as percebem tão bem... A mulher é o lado feminino do universo, a parte fundamentel na continuidade das espécies. Já Agustina Bessa-Luis dizia, referindo-se à Virgem, que a Mulher é a Mãe de Deus. A mulher, digo eu agora, é a mãe da humanidade."

"Há uma fórmula que adoro, que li escrita no jornal a propósito de uma escultura em Modena de Donatelli, que dizia 'ele consegue a simplicidade dos gregos e o realismo da Renascença'. Achei esta ideia magnífica: ser simples quer também dizer ser claro, e ser claro é trazer á superfície o que é mais profundo."


Manoel de Oliveira, Berlinale.
Fonte:ipsilon.publico.pt

sexta-feira, 28 de novembro de 2008